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25 de fev. de 2011

VOÇE.....Suzana M. Motta/DEA





Suzana M. Motta


Sei ...
só não sei porque
penso em você tanto assim...

Passo a noite em claro,
e seu rosto raro lembra o luar,
que penetra no escuro do quarto
pelas frestas da janela.

Olho os fios de cetim,
que cintilam no escuro...

Agora sei...

Sei porque penso em você tanto assim,
e adormeço feliz,
por conseguir saber enfim...

QUEM E A SAUDADE? SUZANNA MOTTA/DEA



Suzana Motta


Você sabe quem
é a saudade?




Não!? Pois é, nem eu.
Só sei isso...
ela é uma companheira implacável,
que não gosta de dar folga.
Quando aparece se esquece de ir embora,
e só vai se a gente faz o que ela quer.



Você sabe
o que ela quer?



Quem souber me conte,
pois a única coisa que sei,
é que quando ela aparece
algo começa a doer
lá no fundinho do coração.
Uma falta premente
que não se explica,
mas que incomoda muito.
Uma vontade de ter presente
a ausência que nos consome.



Como fazer
ela ir embora???






Fazendo o que ela quer,
indo ao encontro ou
trazendo para perto de nós
quem está longe.



Você, que é o motivo
da minha saudade,
mande notícias,ou
venha pra perto de mim,
pois meu coração está chorando
de tanta saudade de você.

DOA-SE UM CORAÇÃO Iraima Bagni /DEA







Iraima Bagni
(*Laur@)



Doa-se um coração.
Nele, você sente a vida pulsar,
O espaço é amplo,
Macio e quentinho.
Possui vários compartimentos
E abriga todos os sentimentos...
É um coração livre,
desprovido de trancas,
Com as portas sempre abertas
Para não sufocar...

Para ocupar esse espaço
E mantê-lo pulsando,
É preciso
Deixá-lo livre,
Saber Amar,
Compreender,
Desejar,
Observar,
Tocar
E compartilhar
As coisas simples da vida...
Essa doação é feita por tempo ilimitado.
Mas só será seu
Se souber mantê-lo, conservá-lo e amá-lo...

(Repasse com os devidos créditos)



ANJO CAIDO ,José Antônio Gama de Souza /DEA



José Antônio Gama de Souza



Tu dizes que sou anjo...
Talvez seja, quem sabe?
Mas... se fosse...
(Alertar-te se faz necessário)
Seria daqueles que caíram
Por vontade ou castigo
Pela esperança, motivados
De sentir as humanas expressões
Da Terra, atraídos pelo chão
Abandonando os etéreos espaços
As luzes e os celestes campos
Ansiosos por paixão.
Não seria daqueles anjos belos
Suaves, perfeitos...
E sim daqueles rudes, caricatos
Rebeldes, curiosos...
Confusos, tolos.
Talvez eu, um anjo fora,
Que por ser mais homem
Que anjo,
Preferira cair que subir,
E agora, que é caído,
Permanecer quer assim
Porque assim conheceu
O mais profundo sentimento humano
Aquele que tu, despertaste em mim
O que mais sentir faz
Todas as humanas sensações
E que saber me fez
Que um homem é capaz
De todas as angelicais percepções
O que o faz, mesmo que besta,
Um anjo!

BEIJO NOTURNO Suzana Motta/DEA




Suzana Motta




Esta noite você me beijou.
Chegou de repente,
tomou-me em seus braços.
Seus lábios cobriram minha boca,
possessivamente.

Eu, quase sem poder respirar,
tentava corresponder a mesma ânsia
que vinha de você, e
me fazia flutuar.

Aos poucos, senti-me confortável,
transportada a um mundo,
do qual não queria voltar.
Esse enlevo extasiante
dominou-me, e
quando estava plenamente
envolvida nesse longo beijo,
um suspiro prolongado acordou-me...
( para a realidade ).

CHORO DE MENINA Suzana Motta /DEA

Suzana Motta


Chore menina,
mesmo que seja de alegria.
Não tenha medo, nem vergonha,
de expor seus sentimentos.

Viva-os...
Um a um.
Sinta-os.
Deixe que eles a envolvam,
acalantem seu sorrir, seu penar.
Vibre com cada emoção,
não deixe simplesmente,
a vida passar...

Olhe em volta,
olhe para dentro, e diga:
Eu sinto.
Eu me exponho.
Eu estou VIVA !!!!...

Corações Solitários Amy* /dea


Corações Solitários
Amy*


Somos dois corações solitários
Em busca das emoções perdidas
Mas nunca esquecidas
Quando nos encontramos
resgatamos nossos sonhos mais antigos
Voltamos a ser adolescentes inconseqüentes
O desejo a flor da pele
A sensação maravilhosa
De ter de novo o coração batendo forte
Aquele desejo insano de ficar juntinhos
Aquela vontade louca do "quero, não quero"
A respiração ofegante
A umidade que pouco a pouco invade nosso corpo
As pernas tremendo
A respiração quase parando
A vontade de dois, se tornarem um
Mas chega a hora do adeus...até amanhã...
E nossos corações solitários
Já não estarão tão sós
Teremos um ao outro
Nem que seja em pensamento
Até o próximo encontro
.

24 de fev. de 2011

Herberto Helder Lisboa, Assírio & Alvim, 1995,Esta mão que escreve/DEA



Herberto Helder
Lisboa, Assírio & Alvim, 1995
Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascenças da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os seus recessos negros
onde se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se: O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, essa lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponto a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz
dos braços a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tao feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas.

Tédio FLORBELA ESPANCA.... /DEA



SEM MEDO A HAROLDO DE CAMPOS/DEA


A HAROLDO
DE CAMPOS


na
sobrancelha
.............um poeta
.............astronauta

.............varre
.............a
.............poeira

.............livros
.............a
.............secar

.............no
.............varal d’alma

em campos gregos
ceifa
sem medo

esculpe
signos
com
seus dedos

sozinho
lúcido
lutador
sereno


defronte
à vida

os ossos
...........devoram
...........a
...........noite


o tremor
da carne
na
-caixa de Pandora-
outro poeta


ressurge
louco
translúcido


cabelos
..........secos


boca
sem
dentes
ventre
crescente


procura
......os versos
perdidos
honesto
naquela noite
.....antiga

................nua


a caixa
............se abre
............no vazio
............um universo
............se faz
......................carne

na carne podre
...........carcomida
.....................treme
.....................um poema
.....................inconcluso


.....................espera
.....................paciente
.....................a sua hora

o poeta
..........seco
..... .....balança
...........ao vento

e nos olhos
............tinha

..................apenas
.........................um cisco

Abilio Terra Junior