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22 de nov de 2009

SAIBAS:


Sabes 
  
Sabes!...
Espero que digas que sim
À carta que não te enviarei nunca
Sabes,
Receio que não compreendas ou que te faças desentendida
Aos sinais que te lanço nesta confissão contida
 
Imagino que não saibas
Mas ardo numa louca ansiedade
Tão louca quanto a minha paixão tardia
E se me olhas, se me vês, homem maduro tonto!
Não sabes quão jovem o meu coração se sente
Como o amor altera a tonalidade dos dias!...
Como a esperança pode ser luz encandeada de ilusão!...
 
Sei que não me imaginas
Que não divisas outro horizonte que não o teu
Sei isso tudo e isso tudo renego
Esperançado que o meu sorriso
Se torne o dardo do cupido
A encaminhar-te para mim
Tal como eu estou encantado por ti
 
Sabes,
Devia guardar segredo
Abafar na alma este supremo enlevo
Mas se não desabafasse
Como conseguirias adivinhar tal amor?
Como poderias decifrar além dos “olá” de circunstância
Que há um “amo-te” fogoso
Prestes a saltar das cordas da minha garganta
Ah, mas tu não sabes
Possivelmente nunca saberás
Porque não queres saber
E possivelmente eu nunca te direi
O que talvez gostasses de escutar
 
Imagina…
É só um passo o que nos está a separar.

MINHA MENSAGEM PESSOAL :


Mensagem Pessoal



     Se me sentisse iluminado gostaria de escrever uma história de crianças para adultos. Uma história onde se falasse de amor, de educação e de paz.
    O amor é o sentimento que valoriza a amizade aos pais, aos irmãos, aos amigos, aos seres humanos em geral e também aos animais nossos amigos e a todos os outros menos afáveis. Mas o amor é também admirar e gostar das flores, das plantas, tratar das árvores, apreciar as fontes, os rios e os mares, evitando estragar e poluir o que de melhor a natureza nos ofereceu.
    A educação é aprender a saber. Aprende-se a ter bons modos, a saber comportarmo-nos em sociedade e à mesa, a dar o lugar sentado a um idoso, a um deficiente ou a alguém a quem faltou a sorte de ter a mesma saúde que nós. A educação é ter a curiosidade de aprender a ler e a escrever para nosso proveito, mas igualmente para poder ajudar os outros sem egoísmos nem altivez. Cultos, somos ricos, porque não há maior fortuna que a educação do conhecimento.
    Por fim gostaria de escrever uma história de paz. Infantil e adulta. Infantil, porquanto ingénua e pura, estivesse livre de segundas intenções e os mais velhos nela se identificassem e fossem capazes de a interpretar e de a assimilar, porque cansados das obrigações diárias, chegam a casa irritados, impacientes e renitentes em se empenharem na família. Adulta para lhes sussurrar veementemente que só temos este planeta para viver, o qual devemos estimar e proteger, e que só reconhecendo a igualdade de direitos a todas as raças que vivem neste mundo é que podemos ter a ambição de coabitar melhor e em harmonia. Pudesse por fim sugerir que repartir um pão com quem o não tem é estimular a amizade.

ESBOÇANDO 2:


Esboçando 
XIV
 
Esta obscuridade vinda da noite
É a falta de claridade no meu interior
Em que privado da tua amizade
Até mesmo o sol,
Envergonhado e tímido,
Se escondeu por tempo indeterminado.
Os chorões do meu idílico jardim
Mirraram de ansiedade
A maleita minou-lhes as pendentes ramadas
E a folhagem amareleceu e ressequiu
Prenunciando o epitáfio indesejado:
“Aqui jaz singelo
Um amor imortal”
Que perdure a mentira
A mim sempre me fez mal.

ESBOÇO:


Esboço
VI
 
 
 
 
Sei do meu caminho
As balizas que o destino
Foi colocando para domar
As margens do meu leito
De selvagem tornei-me curso manso
E só quando as desventuras me provocam
Turvo de raiva e de furor
Na Afurada despejo o mau humor
E confio à Foz da minha foz
Os segredos que fui guardando
Consciente que na noite do meu dia
Hei-de encontrar a calmaria 
 

NÃO RETORNO:

Não-Retorno




 
    Vou-me esvaziando com o que se vai sumindo da vida. Alguns adoecem, outros partem voluntária ou irremediavelmente. Mesmo se não os amo incondicionalmente, fica-me a saudade do que foi, como a recordação do brinquedo que se estropiou, apesar mesmo de ter caído em desuso, a angústia do não-retorno tomba bruma sobre mim, e sem lágrimas, choro os pedaços de lembrança, idos no escoar das águas ao longo dos renques de salgueiros, que  perdem a folhagem, e comigo envelhecem.
    

ESTOU A DEIXAR:

Estou a deixar-me emaranhar numa teia de considerações viperinas. As queimaduras não se curam com álcool e alimentar fogos não é um hábito meu. Acontece que nem sempre está nas nossas mãos evitar incompreensões. É certo e sabido, reconheço-o, que escrevo mal, que é evidente e exasperante o meu mau gosto e falta de qualidade literária. Agradeço no entanto a quem se sente incomodado com a minha mediocridade que se poupe a si mesmo o desespero de me prestar atenção.
 
 
    As histórias que acabam em quebra de amizade ou em desamor conflituoso são virulentas. Aglutinam contra si ódios e acerbidades, maledicências irreflectidas que em certos casos eram insuspeitados poderem existir. O ser humano é fértil em surpresas; sublima-se e avilta-se, quantas das vezes sem se dar conta que está enredado numa gigantesca mentira pessoal na qual crê sinceramente. É quando se desguarnecem as emoções cúmplices e se desfazem os laços da proximidade, que a nu, se espelham na clareza do ser o que interiormente se é. Poupo-me as considerações. Felizmente cada criatura é diferente.
 
 

    Desconheço encanto maior do que a natureza a espigar.
 
 

NUNCA ME PREOCUPEI EM SABER:


Nunca me preocupei muito em saber se sabia o que os outros achavam conhecer. Procurei e intento, isso sim, alicerçar um raciocínio e uma forma de ser e de estar pessoal, nem sempre coincidente e concomitante com o que esperam de um semelhante tal qual eu. Por ordem da essência cósmica, em que massa e espírito se fundem metafisicamente, sinto-me alheio e presente, participativo e ausente, em um estádio brumoso, nunca inerte e jamais vegetativo, curioso quanto baste, em aprendizagem sabatina constante.
 
 
    Regressei aos montes que vira verdejar e me roíam de nostalgia pela placidez agreste que deixam transparecer. Volvi ao coração das origens e comemorei com os matagais as matinas orvalhadas.
    Que alegria atenuar estas saudades! Que terapia na alma de quem é terra e xisto! E sente, com os olhos que o mundo viram, ter sido aqui, entre giestas na flor da rebeldia, que aconteceu o natal do homem que em mim não caberia.
 

HORIZONTE:


Horizonte
  

Não tenho horizonte em mim
O único está lá fora, num mundo que me é estranho
Eu, que não sei para o que vim
E que acabei por me julgar odor
E forma concreta
E até mesmo flor
Sucumbi num pôr de sol medroso
Obscurecido pelas ilusões
Que o desassossego teceu para mim.