Pages

19 de jul. de 2011

ARARAS VERSATEIS..../DÉA



Araras versáteis. Prato de anêmonas. O efebo passou entre as meninas trêfegas. O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia. Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca E vergastou a cona com minúsculo açoite. O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios E uma língua de agulha, de fogo, de molusco Empapou-se de mel nos refolhos robustos. Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios Quando no instante alguém Numa manobra ágil de jovem marinheiro Arrancou do efebo as luzidias calças Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii... E gozaram os três entre os pios dos pássaros Das araras versáteis e das meninas trêfegas. Hilda Hilst
Em meus momentos
tão indecentes,
passeando os dedos macios
pela virília e ventre,
sorrio ao ver o revirar de olhos
dos corados gregos filósofos!

Ah, meu bem,
minha indecência
é supernova!,
Recém descoberta
a vulva sente,
em cima, embaixo,
entre,
o falo descoberto;

e como terra prometida
de mistérios revelados
possui o
possuidor.



Patrícia Gomes

Esta noite sonhei com Teus lábios ..../DÉA




Esta noite sonhei com

Teus lábios a beijarem

Os grandes meus,

E amanheci orquestrando sorrisos

Em gozo.




Patrícia Gomes

não quero colo nem me calo!..../DÉA



não quero colo
nem me calo!

quero beijo quente, suado
a devidos intervalos

aquecer o falo
entre minhas linhas triangulares

ser curso úmido, único
pra tua língua lenta

quero entreabir as coxas
e te sentir crescer duro e cheiroso

sorver em minha fissura
o vinho do teu desejo

até que o desejo
queixe-se de dor!



Patrícia Di Carlo

É PRA VOÇÊ.........????/DÉA


É pra você
O meu leite adocicado
Que como gotas de mel
Adoça sua boca

É pra você
Os meus fartos peitos
De mamilos túrgidos
Quando tua língua
Por ele brinca

É pra você
Minhas carnes
Boca, seios e vulva
Para que possas beber-me sempre
Em leite, saliva e gozo...



Patrícia Di Carlo

O TEMPO..../DÉA


O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família.


Amor

Quando duas pessoas fazem amor

Não estão apenas fazendo amor

Estão dando corda ao relógio do mundo

O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

Mário Quintana

A língua lambe as pétalas vermelhas..../DÉA

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A língua lambe


A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

Carlos Drummond de Andrade

UM POEMA...UMA BRECHA...!!!!/DÉA


um poema, uma brecha

nele, registros de subjetividades

objetivos sensíveis à vista

anestesias para as dores da vida

conforto para os males do espírito


um poema, um estado de alma

uma implosão de aprisionamentos

uma explosão de liberdades

uma procura de sentidos coloridos

uma noite de chuva

um beijo na boca.... TANIA MARQUES

Amor, pois que é palavra essencial...!!!!!/DÉA

Amor, pois que é palavra essencial
Amor – pois que é palavra essencial

comece esta canção e toda a envolva.

Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,

reúna alma e desejo, membro e vulva.


Quem ousará dizer que ele é só alma?

Quem não sente no corpo a alma expandir-se

até desabrochar em puro grito

de orgasmo, num instante de infinito?


O corpo noutro corpo entrelaçado,

fundido, dissolvido, volta à origem

dos seres, que Platão viu completados:

é um, perfeito em dois; são dois em um.


Integração na cama ou já no cosmo?

Onde termina o quarto e chega aos astros?

Que força em nossos flancos nos transporta

a essa extrema região, etérea, eterna?


Ao delicioso toque do clitóris,

já tudo se transforma, num relâmpago.

Em pequenino ponto desse corpo,

a fonte, o fogo, o mel se concentraram.


Vai a penetração rompendo nuvens

e devassando sóis tão fulgurantes

que nunca a vista humana os suportara,

mas, varado de luz, o coito segue.


E prossegue e se espraia de tal sorte

que, além de nós, além da prórpia vida,

como ativa abstração que se faz carne,

a idéia de gozar está gozando.


E num sofrer de gozo entre palavras,

menos que isto, sons, arquejos, ais,

um só espasmo em nós atinge o climax:

é quando o amor morre de amor, divino.


Quantas vezes morremos um no outro,

no úmido subterrâneo da vagina,

nessa morte mais suave do que o sono:

a pausa dos sentidos, satisfeita.


Então a paz se instaura. A paz dos deuses,

estendidos na cama, qual estátuas

vestidas de suor, agradecendo

o que a um deus acrescenta o amor terrestre.


Carlos Drummond de Andrade

SUGAR E SER SUGADO PELO AMOR..../DÉA


Sugar e ser sugado pelo amor

Sugar e ser sugado pelo amor

no mesmo instante boca milvalente

o corpo dois em um o gozo pleno

que não pertence a mim nem te pertence

um gozo de fusão difusa transfusão

o lamber o chupar e ser chupado

no mesmo espasmo

é tudo boca boca boca boca

sessenta e nove vezes boquilíngua.