Na palma da minha mão
Diz-me a cigana vidente
Ver nas linhas traçadas
Fatalidades pendentes
Conta-me não ver o amor
Nem sinais de felicidade
Confessa até ter temor
De me revelar a verdade
Lembra-se ter ouvido uma lenda
Remontando à antiguidade
Da memória dos tempos oriunda
Narrada na comunidade
Relatavam as velhas ciganas
Nos serões do acampamento
Inflamadas pelo crepitar das chamas
Em noites de frio e de vento
Que um ginete galego
Errava p'las aldeias serranas
Dia e noite sem sossego
Demandando amor e fama
Desencantado de procurar
Chorou a juventude esbanjada
Até no seu rosto se sulcar
Um rio de mágoas abafadas
Trotou por montes e vales
Pisou a fronteira e partiu
Para afogar os seus males
Junto ao pequeno rio dormiu
Diz a lenda talvez incerta
Que o sol o foi encontrar
Com a palma da mão aberta
E nela uma flor a germinar
Animado por tal ventura
Decidiu junto ao rio ficar
Convencido de que a fortuna
Acabara de o bafejar
Desperta do transe a cigana
Diz em mim ver outra sina
Mais sombria e mais profana
Pouco risonha e franzina
Suspirando à’rrematar
Sorri, de sorriso maroto
Aconselhando-me para não me cansar
Que corra sempre por gosto.
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